10-FEVEREIRO-2016
VOLEIBOL SENTADO:
DIVERTIDO E ESPECTACULAR!
O Castêlo
da Maia Ginásio Clube, o primeiro
histórico do Voleibol
português a abraçar o Voleibol Sentado, faz um balanço positivo do
trabalho desenvolvido em menos de meio ano no âmbito do projecto do
Desporto Adaptado.
Um trabalho que, quem sabe, poderá servir de modelo a outros clubes…
Pedro Pereira; Director Responsável pelo Desp.
Adaptado e pelo Voleibol Sentado no CMGC enfatiza:
“O Castêlo da Maia iniciou este ano um projecto de Desporto Adaptado
para tentar minimizar e dar outra qualidade de vida às pessoas que
não têm oportunidades como esta de praticar desporto.
O Voleibol Sentado está incluído num projecto de maiores dimensões,
mas o Voleibol Sentado fazia todo o sentido num clube de Voleibol.
Tem sido um projecto agradável, as pessoas estão a aderir com alguma
facilidade ao Desporto Adaptado e só esperamos que possamos vir a
servir de exemplo a outros clubes de Voleibol.
As pessoas que vêm aos treinos gostam de Voleibol e o facto de
poderem praticar a modalidade através do Voleibol Sentado, é uma
oportunidade que querem aproveitar, ainda para mais porque lhes
permite divertirem-se e melhorar a sua qualidade de vida.
Apesar de só termos começado em finais do ano passado, temos já 30
atletas de Desporto Adaptado e isso é muito satisfatório para nós,
neste momento”.
Ana Sousa é
a Coordenadora do Desporto Adaptado do Castêlo da Maia GC.
"O Voleibol Sentado é uma das modalidades que fazem parte do
projecto do Desporto Adaptado no clube, como o Goalball, o Boccia e
a Actividade Física Adaptada.
Neste momento, conseguimos que o Voleibol Sentado esteja a rolar e
temos oito atletas com deficiência que treinam connosco, bem como
vários escalões de formação do clube que têm vindo partilhar
connosco alguns momentos de treino.
Já passaram por aqui várias equipas de femininos e vão passar, a
partir da próxima semana, também de masculinos e este trabalho de
inclusão tem sido fundamental para conseguirmos manter os nossos
atletas motivados e empenhados no treino e também para os ajudar sob
o ponto de vista técnico, pois eles têm alguma dificuldade, já que
não são jogadores de Voleibol, nem nunca foram, e se aprender a
modalidade já não é fácil, aprendê-la sentados ainda é mais
difícil", reconhece esta professora da FADEUP, onde é responsável
pelo Voleibol Sentado, salientando:
"O trabalho de parceria com os restantes escalões do clube tem sido
fundamental. O Castêlo da Maia, como sabe quem conhece o clube, é
tradicionalmente um clube de Voleibol, e o Voleibol Sentado é, entre
as várias modalidades de desporto adaptado que acolhemos, a que nos
está a dar maior gozo e um orgulho enorme por termos conseguido
construir um projecto desta natureza e começar a formar uma equipa.
Não tem sido fácil. Sabemos que existem poucas equipas a nível
nacional.
Os nossos esforços no sentido de captar atletas já têm praticamente
um ano, praticamente desde a realização da Convenção
Multidisciplinar de Educação, em Gondomar, em que divulgámos a
modalidade.
É difícil trazer para os treinos os atletas, quer por problemas de
transporte, quer porque não conseguimos motivá-los a experimentar,
pois quem experimenta acaba por ficar. Trazer até aqui as pessoas
tem sido a nossa maior dificuldade, pois, se calhar, as pessoas não
estão muito receptivas em vir experimentar algo novo.
Se nós conseguirmos levar o Voleibol Sentado a mais pessoas com
deficiência, sem o circunscrevermos a nenhumas características de
modo específico, digamos assim, acho que será possível captar mais
atletas, não só no Castêlo da Maia mas também noutros clubes.
A nós interessa-nos crescer, mas também que os outros clubes
consigam fazer o mesmo, de modo a que daqui a algum tempo estejamos
a treinar com o objectivo de competir.
Em última instância, competir é o que qualquer atleta pretende, pelo
que gostaríamos de ver este tipo de dinâmica ser adoptado noutros
clubes, não só de Voleibol mas também ligados a outras modalidades".
E o que sentem os principais visados, os atletas?
Paula Cristina Leite, Presidente da Associação
Nacional de Amputados (ANAMP):
"Fundei a associação para promover o desporto adaptado, para além de
outras actividades, para tirar as pessoas amputadas de casa e mudar
mentalidades, criando um colectivo de aceitação, não só social, mas
também focada num objectivo: «eu próprio me aceitar».
Em Setembro do ano passado, a Ana conseguiu cativar-nos para esta
actividade, e temos aqui alguns elementos da ANAMP. Gostamos muito
do Voleibol Sentado, pois está a levar-nos além daquilo que éramos
capazes de fazer com pessoas amputadas.
Estamos também a elaborar um protocolo de colaboração com o Castêlo
da Maia GC para irmos mais além com esta actividade, que é muito
importante para nós e para todas as pessoas que são deficientes e
mesmo as que não são, pois todos podem vir participar e divertir-se
com o Voleibol Sentado, com motivação e determinação, que são dois
aspectos muito importantes".
António Teixeira, Vice-Presidente da ANAMP, aceitou
de bom grado a oportunidade de praticar Voleibol Sentado no CMGC,
pois, como salientou:
"Ao longo dos tempos, fomos nós a adaptarmo-nos ao desporto que era praticado
por todos, mas agora temos a oportunidade de praticar um
desporto que é adaptado
a nós".
Joaquim Fernando, do Centro de Reabilitação
Profissional de Gaia (CRPG), é um dos atletas mais aplicados nos
treinos:
"Tive conhecimento do Voleibol Sentado através do CRPG. Vim,
experimentei e acho que a nível físico nos faz muito bem, sendo
ainda um escape para o stress do dia-a-dia.
Deveria haver mais actividades como esta e uma maior divulgação,
para que a pessoa com deficiência saia de casa e venha desfrutar da
vida.
Creio que o Castêlo da Maia GC, com esta iniciativa, está a abrir
portas a outras instituições e só é pena não haver clubes, como o FC
Porto, o Boavista FC e outros, ligados a estas actividades, pois os
apoios seriam maiores e haveria muito mais gente a aderir a
projectos deste cariz”.
Miguel Silva, um motorista que teve um acidente há
dois anos, aderiu ao Voleibol Sentado e Isabel, a esposa,
acompanhou-o, colaborando activamente nos treinos:
“Sou membro da ANAM e foi através desta associação que tomei
conhecimento do Voleibol Sentado, um desporto mesmo espectacular.
Puxa um bocadinho por nós, mas o convívio e o ambiente que rodeia a
sua prática é fenomenal.
O Castêlo da Maia está de parabéns, pois iniciativas destas são
sempre de louvar".
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