23-MARÇO-2016
A FORÇA MOTRIZ DA DESCENTRALIZAÇÃO
NO TRABALHO E DESENVOLVIMENTO DO VOLEIBOL

 


As selecções nacionais jovens trabalham a pleno vapor em prol de um objectivo comum, embora a sua preparação se reparta por locais –  e regiões – diferentes e até afastadas em termos espaciais, numa descentralização desportiva e cultural que está a agradar a todos, equipas técnicas, jogadores e regiões anfitriãs de estágios.

Em Vila Nova de Gaia, mais concretamente nos Carvalhos, a Selecção Nacional de Sub-19 Femininos, orientada por Gilda Harris, prepara a participação na poule de qualificação para o Campeonato da Europa da categoria, agendada para os dias 1 a 3 de Abril, na cidade italiana de Nápoles. [Ver mais informações aqui]

Em Viana do Castelo, os Sub-20 Masculinos, orientados por Hugo Silva, trabalham com a participação na fase de qualificação para o Europeu 2016 no horizonte.
As datas de competição vão de 31 de Março a 2 de Abril, igualmente em Nápoles. [Ver informações adicionais aqui]

Em Castro Verde, as Selecções Nacionais de Sub-17, Sub-18 e Sub-19, sob a orientação de Ricardo Rocha, contribuem para o desenvolvimento do Voleibol e das suas variantes na região do Alentejo, enquanto preparam a sua participação em competições internacionais. [Ver mais informações aqui]

Bem mais a Norte, na bela mas recôndita Miranda do Douro, as selecções de Sub-15 femininos e de Sub-16 masculinos aprendem a dizer boas-vindas em mirandês – a segunda língua oficial portuguesa –, aumentando o seu pecúlio linguístico e cultural com o pouco conhecido ainda que vasto património português, ao mesmo tempo que intensificam a sua preparação com vista a embates internacionais e, sobretudo, a sua futura integração nas selecções seniores, num plano federativo maior e mais abrangente que perspectiva o reforço das principais selecções do nosso País nos próximos anos.

E que mais-valias poderá trazer a Miranda do Douro e à própria região transmontana a presença de selecções nacionais composta por jovens?

Artur Nunes, Presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, é peremptório:
"Desde logo, a memória deles, o facto de terem passado por Miranda, por um território do Interior, diferente daqueles a que estavam habituados no seu dia-a-dia.
A Federação Portuguesa de Voleibol está de parabéns, pela aposta feita no sentido da descentralização dos grandes centros urbanos na concentração das selecções, sobretudo destas idades, onde se cria uma boa raiz, fortalecendo as relações não só a Miranda do Douro, como com os próprios colegas de selecção, pois há uma maior proximidade entre os próprios atletas, já que porventura não terão aqui outras tentações das grandes cidades.
Acho que esse espírito de equipa, que nós temos nesta região do Interior, acaba por ser positivo para eles e a presença deles é benéfica para nós, que nos revemos no seu trabalho e competitividade.
Para nós, também é uma forma de valorizarmos o desporto, no caso o Voleibol, uma modalidade que está em crescimento, principalmente entre a nossa juventude, pois o facto de verem outros jovens como eles nas selecções nacionais funciona como um incentivo.
É altamente positivo diversificarmos a prática desportiva e incentivarmos os jovens a praticar desporto.
Os jovens daqui são perspicazes e vêem nestes estágios uma oportunidade de poderem praticar localmente um desporto que está na moda. O que temos de fazer é, tanto através do desporto escolar como em termos do município, incentivá-los e dar-lhes condições para a salutar prática desportiva.
Temos alguns bons exemplos desportivos em Miranda, nomeadamente com o Gira-Volei, que foi um dos princípios, e também no Voleibol começam a aparecer atletas com potencial".

António Guerra, Treinador Principal da Selecção Nacional de Sub-16 Masculinos, afina pelo mesmo diapasão, salientando:
"Um estágio destes tem várias dimensões que são muito importantes para nós.
Desde logo, é muito importante que os jogadores jovens contactem com outras realidades completamente diferentes daquelas a que estão habituados, que aqui é a realidade do Interior do País, apesar de ser uma região bem estruturada e organizada.
Se calhar, muitos deles não faziam ideia da existência de uma região em que se fala uma língua ligeiramente diferente da portuguesa que é o mirandês, nem conheciam as capas tradicionais que permitem suportar o frio extremo próprio da região no Inverno. São apenas exemplos, mas é muito importante termos um conhecimento do nosso País e da nossa cultura, pois reforça o gosto que temos em ser portugueses e o facto de jogarmos em representação do nosso País.
Depois, o estágio tem outra dimensão: estamos aqui a preparar uma selecção nacional para representar, quando for a altura, o nosso País ao mais alto nível. Estamos a dar os primeiros passos com um grupo muito jovem.
É um grupo aberto, pois estamos a seguir uma cultura de selecção ligeiramente diferente: observamos um grupo de trabalho e vamos incluindo depois os jogadores que achamos que complementam o grupo.
Estamos a conseguir ter um conhecimento profundo dos jogadores e eles também estão a ter um conhecimento profundo do que é um determinado tipo de prática, mais regular e com mais intensidade num grupo mais equilibrado, porque uma selecção é sempre um grupo mais equilibrado, e estamos a conseguir os objectivos de criar uma cultura e hábitos de treino.
Penso que o facto de começarmos a trabalhar tão cedo com selecções tão jovens vai ter mais tarde um impacto muito maior, pois a outra dimensão deste trabalho é fazer com que estes jogadores possam vir a integrar uma selecção sénior. Não é um trabalho imediato, mas sim perspectivo". [Convocados aqui]

José Afonso Neves, Treinador Principal da Selecção Nacional de Sub-15 Femininos, partilha dessa esperança e especifica:
"É extremamente importante, tanto para a equipa técnica como para as jogadoras, saírem do seu ambiente natural. Estão habituadas às suas casas, às suas escolas e vêm para longe de tudo isso, para um local como Miranda do Douro, que lhes dá algum descanso mental e onde podem estar concentradas no trabalho que estão a realizar e também conhecer um pouco mais daquilo que é o nosso Portugal.
Em termos de trabalho específico para esta selecção de Sub-15, é a primeira vez que se está a juntar, pois estas jogadoras nunca estiveram envolvidas em processos de selecção anteriores, tem um factor muito grande de novidade para elas e este sossego adicional de Miranda ajuda-nos a criar determinados hábitos de treino e de comportamento.
Este grupo tem uma particularidade, que é haver uma heterogeneidade muito grande no grupo de trabalho, desde miúdas que já jogam 6 x 6 com alguns sistemas evoluídos até raparigas que ainda estão no 4 x 4. Encontrar a melhor forma de trabalhar nesta «mistura» é um desafio muito interessante, que acho que vamos conseguir levar a bom porto.
Elas estão a adaptar-se muito bem e enquanto grupo estão a dar-se lindamente, a habituar-se ao ritmo de trabalho. Por exemplo, do primeiro para o segundo dia de treino foi uma diferença abismal naquilo que são os comportamentos de treino delas, quer dentro quer fora de campo, pelo que acredito que essa adaptação está ser excelente.
Naturalmente, nos últimos dias dos estágios poderá vir a existir algum cansaço e alguma saturação, mas cá estaremos nós para tentar minorar esse aspecto". [Convocadas aqui]

Mais informações: www.fpvoleibol.pt

 
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