Técnicas do Treinador - Manual dos Cursos de Grau I e II
TÉCNICAS DO TREINADOR – MANUAL DOS CURSOS DE GRAU I E II 6 INTRODUÇÃO Principalmente a partir de 2004, é manifesto e notório que os modelos de treino apresentam grandes alterações na sua concepção, o que se repercute directamente na prática. Actualmente, o processo de treino é mais personalizado e os planos de treino das equipas são definidos em função dos planos individuais dos jogadores e do modelo de jogo da equipa. Procura-se treinar mais, passando cada vez menos tempo no terreno. É norma aceite que cada jogador treine o estritamente necessário, para estar em condições de competir por um período alargado de tempo e assim contribuir para o rendimento colectivo. É decisivo que este conceito seja bem percebido. Assim, se as necessidades individuais do jogador ou as suas funções dentro da equipa só lhe exigem que treine 45 minutos, o jogador só treina esse tempo, enquanto, no mesmo treino, um outro jogador, com outras necessidades e funções, pode ter de treinar 90 a 120 minutos. Esta alteração da mentalidade e forma de encarar o processo de treino é absolutamente decisiva para o rendimento das equipas e encerra, no seu cerne, uma perspectiva de longo prazo, que demanda de um incremento da longevidade desportiva dos jogadores. Com este tipo de treino, consegue-se uma intensidade e densidade de treino alta. Os jogadores lesionam-se menos, recuperam mais rápido e encontram-se mais frescos e disponíveis para colherem informação do jogo ou do treino, consequentemente, a tomada de decisão é mais adequada, e adaptam-se melhor e mais rapidamente aos adversários. Tudo isto transporta o treino e o jogo para um patamar tão elevado que se torna inacessível às equipas que não criaram ou não têm condições para treinar e competir, consistentemente, desta forma. Com este tipo de treino, os jogadores estão mais tempo em forma ou, dito de um modo mais adequado, à actual perspectiva de treino, apresentam durante prolongados períodos de tempo um nível elevado de rendimento. Resumindo, uma ideia trespassa das vivências havidas neste nível de competição e da troca de impressões com treinadores de alto nível. Todos pretendem treinar cada vez mais a especificidade, dentro do modelo de jogo e com exigências superiores às de competição (densidade decisional) e passar cada vez menos tempo (volume) no pavilhão e isto é conseguido através de uma individualização e uma especificidade nos processos de treino, levadas ao extremo.
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