12-MAIO-2020
MANUEL SILVA: O BOM FILHO A CASA TORNA


Manuel Fernando Paiva Silva, mais conhecido por Manuel Silva, é uma lenda viva do Voleibol português.
Aos 46 anos, ainda com uma forma física invejável, e depois de passar por clubes como SC Espinho, Castêlo da Maia GC, CD Numância (Espanha), SL Benfica, Caribes de San Sebastián (Porto Rico), AJ Fonte do Bastardo ou AA Espinho, o Zona 4 continua a representar o emblema que o viu nascer, na década de 80, para o Voleibol, a Ala Nun'Álvares de Gondomar, que ainda se mantém na luta pela subida à I Divisão.

Embora tenha continuado a jogar no Campeonato Nacional – e ligado ao Voleibol através das funções que desempenha na Federação Portuguesa de Voleibol –, em 2014, então com 40 anos e quando era o jogador mais internacional no activo (228 internacionalizações), Manuel Silva despediu-se da Selecção Nacional, que representava desde 1991.
Em 2018, foi homenageado pelo Município de Gondomar na IV Gala do Desporto organizada pela instituição no Multiusos gondomarense.

O que é que te marcou mais no tempo em que estiveste em confinamento?
"Este tempo em confinamento deu para conviver mais com a família, fazer coisas que eu pensaria fazer apenas nas férias ou ao fim-de-semana, rever acontecimentos antigos... e também ver as horas a passar por não teres mais nada para fazer, a pensar que isto vai passar.
O levantamento do estado de emergência é uma boa notícia, mas também é bom lembrar que isto não passou de vez e que a população tem de manter alguns cuidados e respeitar as condições impostas pelo nosso Governo
” .

Aos 40 anos, despediste-te da Selecção Nacional. Até 2014, estiveste em momentos altos do Voleibol nacional, como o 8.º lugar no Mundial de 2002, a vitória na Liga Europeia de 2010 ou as qualificações para o Campeonato da Europa. Quais foram os momentos que mais te marcaram ao serviço da turma das quinas?
"Momentos altos na Selecção, para mim são todos porque representar a Selecção é o sonho de um atleta, mas um dos momentos altos foi ser apurado para o Campeonato do Mundo de 2002, porque jogar um Mundial não é para todos e não acontece regularmente. E o segundo foi ganhar a Liga Europeia em 2010. Depois de tanto sacrifício, trabalho e paixão pelo Voleibol e acreditar que um dia viria a conseguir um título ao serviço da Selecção é uma coisa que não é fácil exprimir por palavras... É bom demais!
Deixar de representar o nosso País a nível internacional é uma sensação de tristeza, mas, simultaneamente, de muita alegria por tudo o que a Selecção me deu e por tudo aquilo que ajudei a conquistar para ela
”.

Em 2018, foste homenageado pelo Município de Gondomar na IV Gala do Desporto. O que significou para ti ser distinguido por «gentes da tua terra»?
Significou muito porque ser uma referência na modalidade de Voleibol da nossa terra é muito gratificante, e gostaria que o Voleibol na minha cidade crescesse ainda mais, para além do Futebol, Futsal, Ténis de Mesa, Ciclismo, etc.. Estou muito grato às pessoas que fizeram essa homenagem e, mais uma vez, o meu «muito obrigado» à cidade”.

– Qual o lugar que o Voleibol ocupa na tua vida?
Para mim, o Voleibol é uma paixão e esteve em primeiro lugar na minha vida durante muito tempo, mas agora «divido» essa paixão com a minha esposa e filha”.

Que mensagem deixarias aos atletas da actual Selecção Nacional, que, depois de terem vencido a Challenger Cup 2018, vão voltar, num futuro que se espera breve, a competir ao mais alto nível, tentando a qualificação para o Europeu e Liga das Nações?
"A minha mensagem vai ser sempre a mesma e que já passei à maior parte deles: representar uma Selecção não é fácil, dá trabalho e não é para qualquer um. Tem de haver espírito de sacrifício, vontade e paixão pelo que se faz nesta modalidade. E sobretudo acreditar que tudo é possível e não ter medo de ser felizes: vocês chegam lá!
Tem vindo a ser formado um grupo de jogadores mais jovens, que têm sido incansáveis na dedicação e no trabalho do dia-a-dia, e espero que eles aproveitem aquilo que eu e outros jogadores da minha geração ajudámos a construir
".

 
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