02-JUNHO-2014
SELECÇÃO NACIONAL AO RITMO DE MARCEL GIL
O VOLEIBOL É OUTRA MÚSICA

Foto: cortesia de Bazar Musical - Loja e Escola de
Música na Póvoa de Varzim
Marcel Keller Gil tem 24 anos e está ainda a despontar na Selecção
Nacional de Seniores Masculinos, mas representa já os jovens com
potencial que constituíram uma das apostas da Federação Portuguesa de
Voleibol e que começam agora a reforçar a equipa orientada por Hugo
Silva. [Ver
Reportagens]
Com mais de seis dezenas de internacionalizações, Marcel é, a par de
Alexandre Ferreira e Ivo Casas, um produto dos centros de treino das
selecções, tendo passado pelos estágios permanentes nos Carvalhos
(2006), Resende (2007).
Nasceu em Lisboa e, apesar de ter ascendência alemã, por parte da mãe, a
capital portuguesa, onde deu os primeiros passos para a vida, continua a
ser a sua cidade de eleição.
E o que é que em criança este jogador de 2,06 metros queria ser quando
fosse grande?
“Em pequenino sonhava ser baterista”, recorda Marcel, que, como qualquer
petiz que se preze, gostava de fazer rufar o seu tambor...
Com o passar dos anos, os sonhos de infância tendem a ficar esquecidos
no baú das memórias ou, como muitas vezes acontece, vão ficando para
trás, nas páginas do tempo e muitas vezes desaparecem quase sem se dar
por isso.
Não é o caso deste! Marcel continua a manter bem vivo o gosto pela
música e, quando pode, que o tempo livre é um bem precioso, o jogador
português mais alto da Selecção Nacional de voleibol volta a ser menino
e dá largas à sua outra grande paixão: a música.
“Pensava sempre que queria ser músico. Queria ser baterista. Gosto muito
de música. Estava a começar a aprender, mas apareceu na minha vida o
Voleibol e acabou por mudar todos os meus planos”.
O sonho foi apenas adiado. “Ainda tenho tempo para retomar e a música dá
para ouvir todos os dias e isso é uma forma de estudo. Por vezes, quando
há oportunidade, ainda consigo tocar em bares lisboetas, embora nunca
tenha integrado uma banda”.

Durante o estágio em Resende jogava na Selecção de
Juniores
E como nasceu a outra grande paixão?
“Comecei por jogar Voleibol na escola. Era dos melhorzitos e, na altura,
o meu treinador acabou por me levar para o SL Benfica, para as captações
de atletas que o clube estava a realizar, em 2005.
Fiquei e joguei mais uma época. Depois, chamaram-me para a Selecção de
Cadetes e acabei por integrar o estágio permanente no Colégio dos
Carvalhos, em Vila Nova de Gaia.
Seguiu-se o estágio em Resende, onde os jogadores viviam, treinavam e
estudavam durante praticamente todo o ano e que era uma realidade
completamente diferente.
Jogava na Selecção Nacional de Juniores e no SC Espinho, mas ainda não
de forma profissional. Depois fui para a AA S. Mamede e seguidamente
para o SC Caldas. Foi o meu primeiro ano como sénior. Foi uma época
muito boa, com um grande treinador”.
Seguiu-se a aventura em Espanha, no Club Voleibol Pòrtol, em 2010/2011.
“A minha primeira experiência internacional, em Espanha, foi muito boa e
muito importante para mim. Era muito novo, mas conheci jogadores que me
ajudaram muito, à semelhança do treinador. Foi uma experiência muito
útil para o meu futuro”.
“Título de campeão pelo SC Espinho
foi um dos momentos
mais marcantes para mim”
Novo regresso a Portugal, ao SC Espinho, onde, com o actual
seleccionador nacional, Hugo Silva, se sagrou campeão nacional de
seniores masculinos, em 2011/2012.
“O título de campeão nacional pelo SC Espinho, há dois anos, foi, sem
dúvida, um dos momentos mais marcantes para mim, a nível desportivo.
Cada campeonato, cada vitória, deixam a sua marca, mas este foi um dos
mais marcantes, porque foi uma época muito especial. Começámos com um
grupo de quem ninguém esperava nada e acabámos por mostrar que afinal
poderíamos fazer alguma coisa a mais do que o que esperavam. Uma equipa
bastante jovem, com apenas um ou outro mais velho. E também porque
tínhamos um grupo muito especial e tinha acabado de voltar para
Portugal, vindo de Espanha. Não sabia muito bem o que fazer e afinal a
época acabou muito bem”.
Seguiu-se novo salto para o estrangeiro, desta vez a Bundesliga 2,
na Alemanha, ao serviço do RWE Volleys Bottrop, que se sagraria campeão
nacional, ascendendo ao escalão principal, mas que, posteriormente,
passaria por momentos difíceis em termos financeiros.
“Uma época atribulada”, recorda. “Na Alemanha, as coisas acabaram por
não correr muito bem para o clube e também para mim e fiquei um bocado
de mãos a abanar, com a época já a decorrer e eu sem clube.
Felizmente, apareceram-me propostas de Portugal e acabei por vir para o
SL Benfica, pois não é todos os dias que surge uma oportunidade de jogar
num clube tão grande como o Benfica e ainda mais sagrar-me campeão
nacional.
Foi sem dúvida uma grande experiência, que nunca irei esquecer”.
“Tenho a ambição de jogar
nas melhores equipas do mundo”
E, alargando os horizontes:
“Não sei se o meu futuro passa por Portugal ou pelo estrangeiro. Neste
momento, estou aqui, mas acho que neste momento há mais hipóteses lá
fora. Os campeonatos, em geral, estão mais equilibrados e compensam mais
financeiramente.
Claro que tenho a ambição de jogar nas melhores equipas do mundo, mas
não estou obcecado com isso. Faço o meu trabalho dia a dia e um dia,
quem sabe, pode ser que a Itália ou a Rússia me chamem”.
Tirando uma selfie, como central:
“Sou um jogador que não dou muito nas vistas, mas que consigo fazer o
meu trabalho, de ataque e bloco. Gosto de estar atento e concentrado no
bloco e acho que tenho cumprido nas minhas funções.
Na Selecção Nacional, ambiciono sempre a qualificação para as fases
finais das competições que disputamos. Tenho sempre em mente conseguir
ir a Europeus, Mundiais e Jogos Olímpicos. E ganhar o máximo de jogos
possível.
Creio que mais tarde ou mais cedo vamos voltar a dar nas vistas e, quem
sabe, ganhar alguma competição, como ganhámos a Liga Europeia em 2010.
Agora, vejo de maneira diferente o que é estar na Selecção Nacional.
Quando era mais novo, via o voleibol de outra maneira. Não era tão
utilizado. Agora também já sou um bocadinho mais importante na Selecção.
Dedicação, profissionalismo e seriedade são imprescindíveis, bem como o
máximo de concentração possível.
Às vezes, não é fácil estar aqui, todos os dias e treinar duas vezes por
dia, mas isso ajuda-nos a melhorar a cada dia que passa.
O mais importante é gostar de estar aqui, de ter orgulho em representar
o país”.
11.ª presença na Liga Mundial

Na Liga Mundial, Portugal vai defrontar a República e a Coreia no
Pavilhão Desportivo Municipal da Póvoa de Varzim e a Holanda no Centro
de Desportos e Congressos de Matosinhos.
Portugal jogará ainda em Eindhoven (Holanda), Ulsan (Coreia) e Opava
(República Checa).
“Felizmente, a nossa Selecção disputou já várias Ligas Mundiais. Creio
que estamos mais experientes, mais coesos como grupo e também mais à
vontade na forma de encarar uma competição destas, que reúne as melhores
equipas mundiais e que implica algumas viagens longas e desgastantes”,
salienta Marcel, desejando:
“Creio que poderemos esperar sempre mais um pouco, cada ano que passa.
Vamos tentar ganhar jogo a jogo e se os resultados aparecerem, tudo é
possível.
O facto de jogarmos os primeiros dois jogos em casa [frente à República
Checa, na Póvoa de Varzim], poderá ser muito benéfico para nós, pois
podemos somar uma ou mesmo duas vitórias, o que nos dará uma dose de
confiança extra para os jogos que iremos disputar fora”.

Momentos de boa disposição, com Idnei Martins e
Alexandre Ferreira
“O descanso e o relaxamento
são imprescindíveis para o atleta”
Nos tempos livres, o que é que um atleta de alta competição, submetido a
duros treinos diários, gosta de fazer nos poucos tempos livres?
A resposta é lógica. “Gosto de descansar, sobretudo. E de estar com a
família e com a minha namorada. Mas o descanso e o relaxamento são
imprescindíveis”.
Algum momento mais marcante a nível pessoal?
“Cada momento bom é um momento marcante. Não faço muitas distinções,
prefiro viver o presente e olhar o futuro.
Também tenho ideia de ser massagista depois de jogar voleibol, pois
estudei massagem. Ter o meu próprio consultório de massagens e terapia.
Mas sempre conciliando com a música, porque esta sempre fez parte da
minha vida”.

Na ponta da língua
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Filmes / Séries Preferidos:
São vários Filmes e várias séries ;)
Música:
Gosto de tudo um pouco mas mais 80´s, Rock e Latino
Leitura: Revistas e Entrevistas
Pratos preferidos: Pasta e Pizza
Bebida: Água
Cidade de eleição: Lisboa
Local preferido para passar férias: Palma de Maiorca
O mais importante no mundo é/são: Família e AMIGOS
O Voleibol é: Uma das minhas paixões. Tenho o privilégio de poder
praticar Voleibol todos os dias e não imagino a minha vida sem ele. Tive
oportunidade de conhecer muitas pessoas que me deram muito como
companheiros de equipa e principalmente como Amigos, graças ao voleibol.
O voleibol é um Vício e uma grande Paixão!
Quem é quem?
Início de actividade: Como praticante, 2005. Como atleta sénior
(embora com idade de júnior), em 2008.
Internacional: desde 2006 (cadetes) e 2009 (seniores), contando
com mais de seis dezenas de internacionalizações pela Selecção Nacional.
Atletas de referência
Nacionais: João José, Flávio Cruz, Hugo Gaspar e outros mais.
Estrangeiros: O sérvio Marko Podrascanin, o russo Alexander
Volkov, o brasileiro Gustavo Endres.
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