03-ABRIL-2020 JOANA NETO: "É
ESSENCIAL MANTER
O CORPO ACTIVO E A MENTE DESPERTA"

Joana Neto, antiga internacional portuguesa de Voleibol
Indoor e de Voleibol de Praia, representou tanto a Selecção Nacional de
Seniores como vários clubes de primeiro plano, o último dos quais o
Leixões SC.
Em 2010, e formando uma promissora dupla de Voleibol de Praia com
Mariana Filipe Alexandre, também ela atleta do Centro de Alto Rendimento
de Voleibol de Praia da FPV, Joana Neto foi vice-campeã europeia,
alcançando a medalha de prata no Europeu de
Sub-18 disputado no Porto.
Hoje em dia, Joana trabalha como médica dentista em França, habitando na
localidade de Saint-Prix, Ile-De-France.
– Estando relativamente próxima de Paris, o epicentro de
COVID-19 em França, como estás a viver a crise sanitária?
“Neste momento encontro-me por casa. Já não trabalho desde o dia 16
de Março, dia em que foi declarado o estado de emergência em França. A
situação é assustadora e preocupante. Só podemos sair de casa com uma
declaração assinada, com a hora de saída, ou estamos sujeitos ao
pagamento de uma multa. Mas mantemos a calma, na esperança de que
rapidamente possamos voltar ao normal.”
– Como é que a pandemia afectou o teu dia-a-dia e a relação
médica dentista-paciente?
“Afectou muito, ao ponto de ter de deixar de trabalhar. Todas as
clínicas dentárias tiveram ordem para fechar, apenas os casos urgentes,
sujeitos a uma rigorosa triagem (por telefone) são atendidos, mas nem
isso até agora pudemos assegurar, uma vez que não há material de
protecção.
Sendo que na minha profissão trabalho directamente na boca do paciente,
há um perigo enorme de transmissão através dos aerossóis gerados durante
os tratamentos, que ficam no ar e nas superfícies.
Por outro lado, a mim, que estava habituada a atender pacientes, das
9h00 às 19h00, 5 dias por semana, e do nada estou em casa todo o dia,
até esta relação médico-paciente faz falta. Mas mantenho contacto com os
pacientes, muitos com tratamentos inacabados, e estou ansiosa por voltar
ao trabalho.”

– Tens contacto com Portugal; alguém ligado ao Voleibol? O que
pensas da forma como Portugal está a lidar com a pandemia, tanto a nível
desportivo como social?
“Sim, mantenho contacto com a família e com muitos amigos que o
Voleibol me deu. E indiretamente, através das redes sociais, fico a par
de tudo.
Penso que muita gente em Portugal ainda não percebeu a gravidade da
situação, assim como aqui. Começámos tarde a implementar medidas de
prevenção e, mesmo em estado de emergência, pecamos quando é necessário
respeitar as recomendações de confinamento e distanciamento social.
Não podemos pensar só em nós, é de louvar o esforço, foco e determinação
de todos os profissionais de saúde. Ficar em casa, neste momento,
significa salvar vidas.
A nível desportivo, parabéns à Federação pela suspensão de todos os
jogos.
Tenho apreciado uma onda de partilha de treinos em casa por parte de
antigas colegas de equipa e treinadores que rapidamente se espalhou a
outras pessoas, mesmo não desportistas. Neste momento, é absolutamente
essencial manter o corpo activo e a mente desperta.”
– Como vês o futuro mais próximo? Com alguma confiança?
“Esta pergunta dá que pensar. Obviamente, quero manter um pensamento
positivo, mas esta situação deixa-me com um nó na garganta. Está a ser
difícil para tantos. Neste momento, tenho colegas de trabalho com
familiares que perderam a vida para a doença Covid-19. É duro, mas
acredito que vamos sair desta, mais humanos e mais humildes.”
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