29-SETEMBRO-2017
CAMPEONATO DO MUNDO ARGENTINA 2002
SEM COMPLEXOS NO MEIO DE GIGANTES

 

Faz hoje exactamente 15 anos que Portugal iniciava, frente à China (3-1), a participação no Campeonato do Mundo de Seniores Masculinos 2002, em S. Juan, na Argentina, de onde regressaria com um histórico 8.º lugar.

A Selecção Nacional era a mais baixa da elite do Voleibol presente no XV Campeonato do Mundo, mas não foi preciso pôr-se em bicos de pés para se fazer notada entre os gigantes da modalidade, entre selecções mais do que habituadas a ganhar praticamente tudo.

Feito o balanço final, é lícito afirmar que Portugal – excepção feita ao Brasil, que alcançou (finalmente) o seu primeiro título mundial, e à França, dona de uma tão surpreendente como merecida Medalha de Bronze – foi a selecção que mais dividendos retirou da participação no Argentina 2002.

Assestando baterias aos 16 primeiros, a Selecção Nacional conseguiu superar expectativas e avançar mais oito lugares, conquistando um resultado histórico para o Voleibol português. De igual importância foi o facto de ter ganho o respeito dos seus adversários – e a consideração dos órgãos de Comunicação Social de todo o Mundo –, não só pelas vitórias obtidas (China, Austrália, Polónia e Espanha), mas, sobretudo, pela forma aguerrida e sem complexos com que se bateu frente às então melhores selecções do Ranking Mundial: Jugoslávia (1.ª), Itália (2.ª) e Rússia (3.º), momentos em que a vitória em pelo menos um set esteve iminente, mas infelizmente se quedou sem concretização.

Fruto de seis meses consecutivos de trabalho árduo e de algumas privações, o certo é que, para alcançarem uma posição de relevo entre a elite internacional, bastou que os jogadores fizessem o que a equipa técnica lhes dizia, ou seja, acreditassem piamente nas suas próprias capacidades e traduzissem essa confiança em momentos de Voleibol de alto nível, que surpreenderam equipas do topo mundial, como a Jugoslávia e a Itália, algo desorientadas com a garra dos portugueses.

Neste Mundial, verdadeira montra da modalidade a nível planetário, a Selecção Portuguesa jogou como um todo, tendo mesmo melhorado alguns dos seus pontos menos sólidos, como o bloco e o serviço, mas seria injusto deixar de salientar as posições alcançadas por João José (1.º no bloco e escolhido para a Selecção do Mundial), Manuel Silva (2.º na recepção e 19.º no serviço), Hugo Gaspar (6.º nos pontuadores, 8.º no ataque e 10.º no bloco), Nuno Pinheiro (3.º na distribuição), Carlos Teixeira (6.º na recepção e 9.º na defesa) e Jorge Alves (12.º nos pontuadores e 19.º no ataque), um verdadeiro gigante de 1,87 metros de altura.

Em termos gerais, pode dizer-se que houve vencedores e... decepções. Dos primeiros têm que fazer parte, obrigatoriamente, Brasil, Rússia e França, aos quais se juntam, ainda que por motivos diferentes, Portugal e Grécia e, ainda, Marcos Milinkovic.
As decepções acabaram por ser a Itália e a Jugoslávia, as selecções mais credenciadas que ficaram fora do pódio e em lugares pouco condizentes com os seus pergaminhos e o valor do seu Voleibol. A estas duas pode-se acrescentar outra selecção, Cuba (19.ª). Outra decepção, diferente e mais abrangente, foi a sentida pela Argentina, país e selecção, no momento em que foi afastada (1-3, pela França) da luta pelos primeiros lugares. O sexto lugar conseguido pelos argentinos – igualando a posição alcançada no Mundial de 1990 – acabou por saber a pouco face às expectativas criadas em relação a uma repetição do Campeonato do Mundo de 1982, quando conquistaram, no Luna Park, a Medalha de Bronze, o momento mais alto na história do seu Voleibol.

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