28-SETEMBRO-2017
JÚLIA KAVALENKA: JOGADORA
DE SELECÇÃO
NA POLÓNIA

 

A internacional portuguesa Júlia Kavalenka, de apenas 18 anos, transferiu-se esta época para as polacas do Poli Budowlani Torun.
Um sonho tornado realidade e que está a ser vivido com intensidade, como refere a oposta da Selecção Nacional de Seniores Femininos.

Júlia Kavalenka"Desde muito cedo, e por ter enormes exemplos em casa, percebi que o Voleibol era muito mais do que uma simples modalidade, percebi que era da prática desportiva que eu queria viver. Jogar a um nível internacional foi o que procurei atingir nos últimos tempos, Hoje em dia, deixou de ser algo que desejava e sonhava e passou a ser uma realidade, que agora vivo intensamente e luto por manter todos os dias".

Como encaras esta tua primeira experiência internacional, principalmente com a tua idade?
Posso dizer que, finalmente, dei um pequeno/grande passo para o início de uma carreira profissional.
Encaro esta primeira experiência de uma forma bastante positiva. Não nego que sonho muito alto e, como tal, no princípio de cada época foco-me sempre no aperfeiçoamento e na evolução como jogadora
.

E com que ambições partes para esta «aventura»: impores-te logo na primeira época ou aprender e consolidar a tua posição na equipa?
Tenho em mim muitas ambições e objectivos que vão ao encontro das metas definidas pela equipa e outros que são mais pessoais.
O Poli Budowlani Torun, equipa da Orlen League, onde me encontro integrada, não é uma das equipas de topo da Liga Polaca, mas é a equipa onde achei que iria evoluir, não só como atleta, mas igualmente como pessoa, consolidar ao máximo o «meu Voleibol», aproveitar a Liga, que tem jogadoras muito experientes de selecções e que dão «muitas cartas» e desfrutar daquilo que que tanto gosto de fazer: jogar Voleibol.
Neste momento, acho essencial encontrar-me focada apenas nos treinos, mas não escondo que um dos principais objectivos que o clube tem é jogar as meias-finais da Orlen League, algo que qualquer jogadora da Liga tem em mente, chegar o mais alto possível e ao mesmo tempo crescer como equipa
.

Apesar de seres ainda és muito jovem, já fazes parte do seis-base da Selecção Nacional de Seniores. Como viveste esse salto desportivo e a inclusão na Selecção Nacional de Seniores?
Integro o plantel nacional, sendo muito jovem, a mais jovem na verdade, e confesso que treinar/jogar/conviver com pessoas mais velhas, estrelas do Voleibol português, não tem preço, é algo glorificante.
O grupo no qual estou integrada, como em qualquer selecção, tem as melhores do País, e é um privilégio elas partilharem toda a sabedoria contigo, é o que nos faz crescer.
Para mim, integrar o seis-base da seleção é uma honra, é algo que me deixa sem palavras porque sentes que o teu esforço e trabalho está a ser recompensado, sentes que cresces dia após dia levando a bandeira do País ao peito e teu nome nas costas. É algo que se sente e é muito difícil de  traduzir em palavras.
Um dos momentos que me marcou mais foi, sem dúvida alguma, a última qualificação para o Campeonato do Mundo [Viana do Castelo], pois senti que Portugal está a ser reconhecido internacionalmente mais do que nunca e que somos «pequenos» mas capazes de fazer coisas únicas.
Infelizmente, não nos apurámos, mas sem dúvida que foi uma excelente poule, a todos os níveis
.

Já em criança eras bem mais alta do que as tuas amigas e as outras jogadoras. Na altura, isso criou-te, de alguma forma, algum tipo de complexo por seres «diferente»?
Ser alta sempre foi um privilégio, digamos assim, em relação aos outros. Foi o que me tornou diferente dos outros de certa forma, pois ser alta/o em qualquer modalidade tem as suas vantagens, mas, nada que me fizesse sentir diferente, porque tinha de trabalhar na mesma para alcançar o que queria.

Jogadoras que foram/são uma referência para ti?
Não tenho «uma jogadora» que seja uma referência para mim; todas são uma referência, pois todas têm uma história por trás, todas sacrificaram algo, todas são vistas como um exemplo a seguir.
A Ekaterina Gamova, que é mais como um ídolo, é uma pessoa que admiro e gostaria de um dia conseguir superar os feitos dela.
Como referência, tenho os meus pais, que são o meu orgulho e sempre os meus maiores exemplos a seguir. Graças a eles é que alcancei o que já alcancei, são sem margem alguma os que mais acreditaram no meu trabalho, e continuam a acreditar, apesar de terem seguido modalidades diferentes da minha [internacionais bielorrussos no Judo (mãe) e Andebol (pai)].
São eles que me fazem prosseguir e continuar a lutar para alcançar o que realmente quero, pois «cada um de nós tem o mundo nas suas mãos»
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Resumo curricular

Na Ilha de Santa Maria, nos Açores, a portuense Júlia Kavalenka representou as equipas de Minis (2009/2010), Infantis (2010/2011) e Iniciadas (2011/2012) do Clube Desportivo «Os Marienses», tendo disputado várias competições de âmbito local e regional.
Integrou pela primeira vez em 2011 os trabalhos da Selecção dos Açores, tendo disputado o Torneio AMB, em Espinho, em 2012, e despertado a atenção das equipas técnicas das selecções nacionais.
A partir de 2012 integrou sempre as selecções nacionais de formação, em regime de internato, até à Selecção Sénior, ao mesmo tempo que representava o Rosário Vólei (2012/2013), o Castelo da Maia GC (2013/2014), o GDC Gueifães (2014/2015) e a AA José Moreira (2015/2017).

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