21-SETEMBRO-2017
ALEX
FERREIRA NA COREIA
SEMPRE A SUBIR… BEM ALTO

Foto:
KB Stars
Alexandre Ferreira iniciou a prática do Voleibol, através do Gira-Volei,
na Escola Básica Evaristo Nogueira, em S. Romão, Seia, tendo jogado dois
anos no Sena Clube.
Depois, integrou o projecto federativo dos escalões de formação sediado
em Resende e, juntamente com os seus companheiros das Selecções
Nacionais de Cadetes e de Juniores, alcançou o título de campeão
nacional da III Divisão ao serviço do CD Anreade, equipa que tinha como
propósito fornecer/manter ritmo competitivo às selecções de formação.
O salto para os seniores do Esmoriz GC e, pouco depois, para a equipa
principal do SC Espinho, onde foi campeão nacional, foi o primeiro de
muitos outros que o Zona 4 de 2,02 metros, com alcance de 3,61 metros no
ataque e 3,46 metros no bloco, haveria de dar na sua carreira.

Aos 26 anos, Alex Ferreira apresenta já um currículo invejável, com
passagens pelos italianos do BCC-NEP Castellana Grotte, Diatec Trentino
e Calzedonia Verona, dos turcos do Ziraat Bankasi e, actualmente, dos
coreanos do Gumi KB Stars Insurance Greaters.
– Já disputaste campeonatos com equipas fortes como os de Itália
e Turquia e vais agora actuar na Coreia, num campeonato que é visto como
muito competitivo.
À primeira vista, quais são as maiores diferenças entre os campeonatos e
os próprios atletas?
As maiores diferenças que noto é no aspecto táctico do sistema de
jogo, pois a velocidade do jogo em si e o facto de haver muitas defesas
faz com que haja imensos «rallys».
Relativamente aos jogadores, são muito positivos e cheios de energia,
brincalhões mas muito profissionais.
– Como foi feita a adaptação a um país diferente, mais longínquo
e com outra forma de estar?
A adaptação não tem sido fácil, pois há uma mentalidade muito
diferente dos outros países em que já joguei devido à sua cultura. São
muito rigorosos em tudo! Uma espécie de pequena «ditadura» que, porém,
está a mudar aos poucos.
Tenho olhos postos em mim em tudo que faço e cada passo que dou tenho
sempre alguém a «vigiar-me»!
São algo parecidos com os chineses, pois temos de conseguir ganhar a sua
confiança. Depois
disso, tornam se verdadeiros amigos, mas até chegar aí estão sempre
muito desconfiados!
Por outro lado, os coreanos têm consciência de que é muito difícil para
um estrangeiro viver sozinho e ajudam muito no que podem: tentam sempre
não me deixar sozinho nas folgas, etc..

– Objectivos/ambições no teu novo clube?
O meu grande objectivo é conseguir aguentar a época toda bem
fisicamente.
Esse foi logo o primeiro pensamento que tive, pois treinamos imenso e há
dias em que temos três treinos por dia, com dois a três jogos por
semana...
Depois, conseguir adaptar-me ao estilo de jogo que o meu treinador quer
e ajudar a levar a equipa o mais longe possível.
– Pessoalmente, qual a coisa que estranhaste mais na Coreia do
Sul ou que achaste mais curiosa?
Acho que é a forma de estar dos jogadores, que são muito
respeitadores, não discutem e é muito difícil encontrar maldade neles.
Mesmo estando chateados ou tristes, tentam sempre aparentar que estão
bem, tentando transmitir isso uns aos outros.
– A tua maneira de estar na Selecção Nacional mudou de alguma
forma com o facto de seres o capitão de equipa, substituindo jogadores
como o Ubirajara Pereira ou João José?
Quando integrei a Selecção, esta era muito diferente daquilo que é
actualmente, pois tínhamos grandes jogadores e eram todos profissionais.
Havia outra mentalidade «old school», muita dedicação e entrega, os
sacrifícios que muita gente não sabia, e parece que ainda não sabe, que
fazíamos, mas os jogadores sabiam manter sempre a postura de um atleta
de «Selecção»…
Quando comecei a jogar não conhecia muitos jogadores, pelo que sempre
tive como referências aqueles com quem partilhei experiências, como o
João José, o Manuel Silva, o André Lopes, o Hugo Ribeiro, o Miguel Maia,
o Nuno Pinheiro, todos eles craques. Eram a minha inspiração por serem
portugueses e conseguirem estar ao mais alto nível, entre os melhores do
mundo.

Alexandre Ferreira tem 163 internacionalizações pela Selecção nacional
de Seniores Masculinos. Ver currículo desportivo
aqui
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