01 SETEMBRO-2014 CADETES E JUNIORES EM
MANOBRAS INTERNACIONAIS

O estágio conjunto das Selecções Nacionais de Cadetes e de Juniores,
realizado nas instalações desportivas da Escola Secundária Carolina
Michaelis, no Porto, foi muito positivo, na opinião tanto da equipa
técnica, liderada por António Guerra, como dos atletas.
Envolvidas em fases de qualificação de competições tão importantes como
o Campeonato do Mundo (Juniores) e o Campeonato da Europa (Cadetes), a
realizar em Janeiro de 2015, as selecções analisaram, pela voz dos seus
capitães de equipa, o trabalho realizado até ao momento. [Ver
vídeo]
Na Poule E da 2.ª Ronda de Qualificação para o Europeu de Juniores,
disputada em Abril deste ano na cidade da Maia, a Selecção Nacional
apresentou-se já frente à França, à Bélgica e à Suécia mesclada de
juniores e cadetes com resultados satisfatórios, sobretudo sob o ponto
de vista dos jogadores mais jovens.
António Guerra, Seleccionador Nacional de Juniores e de Cadetes, começou
por analisar o momento que atravessa a equipa formada pelos jogadores
mais novos:
“Começamos a ter um grupo de trabalho já estabilizado, embora existam dois
aspectos que temos de resolver com urgência, que são os centrais e o
oposto. Precisamos de jogar com um pouco mais de qualidade no meio da
rede e precisamos de um oposto mais poderoso. Daí estarmos a realizar um
trabalho tão continuado com estes jogadores.
Acredito que até Janeiro vamos conseguir estabilizar definitivamente o
grupo de trabalho. O modelo de jogo está definido, muito devido ao facto
de estarmos a trabalhar em ligação com os juniores, o que nos permite
estabelecer muito mais rapidamente o modelo de jogo. A única brecha que
poderá haver neste momento é a qualidade competitiva, porque nos falta
efectivamente alguma qualidade competitiva. Falta-nos jogar mais e essa
falta de experiência competitiva pode limitar-nos no apuramento”.
Na Poule F do Europeu, Portugal vai medir forças com a Bulgária, a
Dinamarca e a Eslovénia.
“A grande incógnita é a Eslovénia, que tanto aparece nas competições com
equipas muito fortes como com selecções menos fortes.
A Bulgária apresenta aquele jogo tradicional: alto e pesado, que encaixa
bem no nosso – é o modelo de jogo da França, que defrontámos na Fase de
Apuramento para o Europeu de Juniores, na Maia. Penso que a Dinamarca é
a equipa mais acessível, pelo que, para nos apurarmos para a fase
seguinte, temos de ganhar obrigatoriamente à Dinamarca e a outra
selecção, seja à Bulgária seja à Eslovénia”.
A diferença de envergadura física entre os atletas portugueses e
de outros países parece começar a esbater-se...
“Subimos a média de altura em cerca de seis centímetros. Não temos ainda
é a qualidade de jogo dos outros jogadores, pois são muito jovens e
ainda em formação. Se conseguirmos dar um volume de treino razoável,
penso que dentro de quatro, cinco anos estes jogadores poderão começar a
ter hipótese de entrar numa equipa mais experiente. Mas são jogadores
muito novos que ainda estão muito atrasados no seu desenvolvimento”.
Este estágio, efectuado com uma certa antecedência relativamente à data
de realização da competição, veio acelerar o processo de desenvolvimento
do grupo de trabalho.
“É fundamental começarmos a fazer estágios alguns meses antes das
competições. Realizar uma pré-selecção antes dos cadetes, o que está já a ser
feito no Brasil e nos Estados Unidos. E a Europa, se quer andar ao ritmo
dos melhores do mundo, vai ter de caminhar para isso, pelo que
brevemente poderá haver uma competição pré-cadetes.
Temos de começar muito cedo a trabalhar com os atletas.

Mundial de Juniores: "Equipa terá de jogar
no máximo do seu potencial"
A fase de qualificação para o Campeonato do Mundo de Juniores será ainda
mais exigente.
“Passam poucas equipas. Nesta fase, a Europa só consegue colocar duas na fase final,
mas pensamos que se a equipa jogar no máximo do seu potencial – pois tem
já um sistema e um modelo de jogo extremamente evoluídos – teremos as
nossas hipóteses.
Esta Selecção de Juniores consegue jogar a um nível alto e se for
consistente nos fundamentos, e estamos a falar principalmente no
primeiro toque, serviço e recepção, é uma equipa que deve ambicionar o
apuramento”.
Uma evolução que foi notória na Maia...
“Faltou-nos ritmo competitivo. Penso que se tivéssemos disputado antes
mais seis ou sete jogos internacionais, teríamos vencido facilmente a
Suécia. Com a França, vai ser sempre assim, podemos ganhar, podemos
perder, mas será sempre um jogo equilibrado. Com a Bélgica, faltou-nos
ritmo competitivo, frente a uma equipa agressiva e com um modelo de jogo
moderno: serve muito bem, é muito agressiva e tem um jogo rápido,
combinado e com tomada de decisão muito boa, isso foi evidente e fatal”.
O balanço deste primeiro estágio é...
“... Muito bom. Muito acima do que estávamos à espera e a todos os
níveis, técnico e táctico, e em termos colectivos. Neste momento, o
grupo está a ficar muito coeso e temos uma cultura de treino que não
existia. Os jogadores estão a preparar-se fisicamente, mesmo
individualmente, têm cuidados com a alimentação, etc.. Penso que estamos
a dar passos gigantescos. Não esperava ter tão cedo as selecções ao
ritmo e ao nível que estão a trabalhar. Penso que este estágio foi muito
enriquecedor.
Tem havido uma grande colaboração por parte dos clubes e dos pais.
Começámos por articular o nosso trabalho com o dos clubes e como tem
havido uma enorme vontade de ajudar a Selecção, penso que vamos estagiar
o melhor possível, mas, e devido às competições nacionais, estágio mesmo
só será possível realizar naquela altura pré-competitiva, em Dezembro, e
voltar a ter consistência e volume de treino”.
Bernardo Martins: “Objectivo é
o apuramento para o Mundial”
Bernardo Martins, Capitão dos Juniores e zona 4 do Castêlo da Maia GC:
“Este estágio correu muito bem e foi muito importante para o nosso
trabalho, pois treinámos num bom nível. O facto de termos reunido as
duas selecções, de cadetes e de juniores, permitiu-nos também não
pararmos durante o Verão, o que beneficiou muito o nosso trabalho. Temos
evoluído como jogadores e como equipa”.
A fase qualificativa para o Europeu foi um exemplo, como explicou o
atleta nascido em 3 de Fevereiro de 1995:
“A Poule de Apuramento disputada na Maia mostrou algumas coisa que já
conseguimos fazer, mas também soube a pouco. Tínhamos a ambição de
passar, não conseguimos e estamos a trabalhar para atacar agora a
qualificação para o Mundial.
O nosso objectivo para a poule do Mundial terá de ser o apuramento e é
para isso que estamos a trabalhar.
Nos jogos que fizemos para o Europeu, na Maia, viu-se já um bocadinho do
nosso trabalho e, no futuro, creio que aparecerão ainda melhores
resultados. Temos vindo a desenvolver um trabalho muito bom, muito
completo e temos colhido alguns frutos”.
"Com a (pouca) sorte que nós temos calham-nos sempre adversários muito
fortes, para mais porque estamos as equipas europeias têm muita tradição
na modalidade, mas isso não nos desmotiva, pelo contrário, pois se nos
saírem adversários muito fortes, a motivação e a vontade de ganhar ainda
será maior.
Para enfrentar adversários desse nível, Portugal terá de jogar com muita
garra e, principalmente, trabalhar arduamente nos treinos e, a meu ver,
isso está a ser conseguido”, salientou.
André Rosa: “Vamos
com tudo para o Europeu”
André Rosa, filho de Manuel Rosa, antigo jogador do CDUP e FC Porto, é o
Capitão dos Cadetes, tendo integrado em 2013/2014 a equipa sénior do CS
Marítimo e a Selecção Nacional de Juniores na Poule F da 2.ª Ronda da
Fase de Apuramento para o Europeu 2015.
“Foi um trabalho fantástico. São jogadores mais experientes. Eram todos
um ano ou dois mais velhos do que eu e por isso a nível de aprendizagem
foi excelente.
Foi uma experiência muito boa porque deu para apanhar um pouco o ritmo
que eles já tinham, o seu empenho nos treinos e a forma como encaram os
jogos e a sua atitude dentro de campo.
Tudo isso ajuda um jogador a crescer e o trabalho com os juniores têm
sido muito bom nesse aspecto”, recordou, acrescentando:
“Apanhámos dois adversários fortes [França e Bélgica], mas creio que nos
mostrámos à altura dos desafios. Demos tudo o que tínhamos para dar,
embora pudéssemos ter feito ainda melhor e colhido daí uma vitória...
Acima de tudo, foi uma experiência muito boa, gostei imenso de ter tido
esta oportunidade de integrar a Selecção de Juniores e pretendo pôr em
prática na Selecção de Cadetes o que aprendi com a de juniores”.
Este estágio misto foi “muito produtivo”, segundo o central,
nascido em 26 de Janeiro de 1997.
“Na poule de Juniores só estavam cinco ou seis cadetes, mas neste
estágio a equipa esteve completamente integrada, o que nos permitiu
usufruir de toda a experiência dos Juniores.
Vamos continuar a trabalhar, empenhar-nos cada vez mais nos treinos e
depois vamos com tudo para dentro do campo. O nosso objectivo é claro:
queremos vencer, pelo que vamos continuar a trabalhar para termos
capacidade para isso”.
Mais informações: www.cev.lu
/
www.fivb.org /
www.facebook.com/fpvoleibol
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