03-JULHO-2014
O VOLEIBOL VISTO PELA
OBJECTIVA DE SOPHIE

Desconhecida para a maioria, mas já com amizades firmadas entre as hostes portuguesas, Sophie Labusch nasceu na localidade de Gelsenkirchen, na Alemanha, há 20 anos.
Nada e criada no meio voleibolístico, começou praticar a modalidade aos 6 anos por influência do pai e do irmão, mas a verdadeira paixão desta germânica de gema é a fotografia, que utiliza com mestria para captar os melhores momentos dos jogadores… portugueses.

– Como nasce esta paixão pelo Voleibol e em especial pela Selecção Nacional?
“O Voleibol faz parte da minha vida desde o dia em que nasci, pois toda a minha família está ligada à modalidade. No entanto, os maiores influenciadores foram o meu pai e o meu irmão. Eu cresci com o Voleibol à minha volta, passei imensos fins-de-semana nos pavilhões, por isso, é natural que eu tenha este gosto pela modalidade.
Quanto à Selecção Nacional Portuguesa, o carinho nasceu há alguns anos. Lembro-me que, na altura, o João José, que jogava no VfB Friedrichshafen, era um grande ídolo na Alemanha, pois, de facto, é um jogador fantástico e ainda hoje se fala dele lá. Depois, o Valdir Sequeira também jogou no meu país (Generali Unterhachingen) e, mais recentemente, o Marcel Keller Gil (RWE Volleys Bottrop). Penso que Portugal tem um estilo de jogo diferente do que eu estava habituada a ver, o que se tornou interessante de seguir. Depois com o tempo, conheci alguns dos jogadores que sempre foram muito simpáticos para mim e hoje mantenho com alguns deles uma relação de amizade”.

– Geralmente, fotografas três jogadores em especial, o Marcel, o Alex e o Valdir. Para ti, qual é o jogador mais impressionante? E o mais fotogénico?
“É muito difícil dizer, pois, para mim, são todos muito bons jogadores (risos) e também porque jogam em posições diferentes… mas talvez me identifique mais com o estilo do Valdir Sequeira. É um jogador fantástico, com um porte atlético fenomenal, muito forte e rápido. Quanto à fotografia, não tenho preferência, apesar de conseguir melhores fotos com o Alex e o Valdir, pois jogam em posições que conheço bem e assim posso antecipar os seus movimentos e tirar melhores fotos do que a centrais e liberos”.

– Tens ideia de quantas fotografias já tiraste à Selecção Nacional?
“Não (risos), mas sei que já foram muitas. Geralmente, e dependendo do jogo, tiro entre 900 a 2000 fotos. Depois, selecciono apenas as melhores e, em média, são 70 a 200 as fotografias com que fico”.

– Qual é o teu tipo preferido de fotografia?
“A minha fotografia preferida sem dúvida é o Voleibol. Mas também gosto de fotografar outros desportos, como o básquete, como tive oportunidade de fazer no ano passado em Trento, Itália. Para além destes, gosto de fotografar desportos radicais. Para mim, o importante é captar a dinâmica e emoção do desporto. Aliás, eu adoro desporto, pois, para além de praticar Voleibol, sempre em ligas menores, gosto de esqui, longboard, escalada e, como boa alemã, gosto de ver futebol também”.

– O que significa para ti a Liga Mundial? Quem achas que ganhará a edição deste ano?
“É uma excelente competição, que integra as melhores selecções do mundo, e é uma grande oportunidade para os adeptos poder vê-las no seu país, assim como aos grandes nomes da modalidade, o que é muito emocionante. Quanto ao vencedor, é muito difícil prever, já que as equipas são bastante equilibradas. Eu gostaria que a Alemanha, Portugal e Cuba estivessem na final. Cuba porque gosto muito do Leonel Marshall (risos), mas, atendendo ao histórico e aos recentes resultados, penso que a Itália terá hipóteses de atingir pelo menos o pódio, uma vez que a final se disputa em Florença”.

– Já foste vista em jogos da Liga Mundial nos quais Portugal participava, o último dos quais na Holanda, mas também já o fizeste em solo português. O que pensas sobre o nosso país e os portugueses?
“Gosto muito de Portugal. É um país muito agradável, tem sol, praias e, nesse aspecto, muito diferente da Alemanha, pois é mais quente. As pessoas também são mais acolhedoras, bastante cordiais e simpáticas, fazem-me sentir bem-vinda e por isso este ano voltarei para o jogo com a Coreia do Sul [5 e 6 de Julho]”.

– Já conheces algumas palavras em Português?
“Sim, conheço algumas mas não as pronuncio muito bem. Palavras como “bem, obrigada, sim, olá, bom dia, tudo bem”, que são básicas para quem viaja”.

– A fotografia é um hobby ou algo que desejas perseguir profissionalmente? Quais são os teus planos para o futuro?
“Não considero a fotografia como hobby, mas sim como uma possibilidade de carreira. Tento sempre fazer boas fotos para poder colaborar com revistas online, jornais ou websites. Num futuro próximo, deverei regressar a Itália, onde irei estudar Ciências da Comunicação e Cultura, em Bolzano. Já estive nesse país no ano passado e tentei aperfeiçoar a minha fotografia e ganhar novas experiências. Fazia reportagem fotográfica nos jogos do Trentino Diatec, onde joga o Alex Ferreira, enquanto trabalhava como “au pair” [prestadora de cuidados infantis]. Por isso, espero continuar a evoluir e, de preferência, a colaborar com organizações que estejam interessadas nas minhas fotos”.

 
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