26-DEZEMBRO-2013 VOLEIBOL SOLIDÁRIO

Como sempre acontece na quadra natalícia, a Federação Portuguesa de
Voleibol (FPV), através do seu Departamento Técnico responsável pelo
Gira-Volei, procurou levar alguma alegria a crianças e jovens que não
têm o contacto que desejariam com o mundo exterior e, por consequência,
com o desporto.
Este ano, as instituições visitadas pelo Gira-Volei foram o
Internato de São João e o Instituto Profissional do Terço, instituições
centenárias de apoio aos mais desfavorecidos que estão sediadas na
Cidade Invicta.
No total, foram perto de uma centena as crianças e os jovens que
receberam bolas, t-shirts, pulseiras e canecas, entre outras prendas
oferecidas pela FPV.
Por vezes, o desporto funciona como uma terapia e a FPV tentou, uma vez
mais, proporcionar um dia diferente àqueles a quem a vida foi adversa.
[Ver
Reportagem]
No Internato de S. João, Patrícia Tavares fez o ponto da situação:
“A nossa instituição é já centenária. Primeiro, funcionou como um asilo,
onde as pessoas mais desfavorecidas da cidade traziam para cá as
crianças. A partir de 1980, a instituição sofreu algumas alterações,
fizemos um acordo com a Segurança Social e agora são cá colocadas
crianças que são indicadas através dos tribunais e das Comissões de
Protecção de Crianças e Jovens. Essas crianças, ou são vítimas de
negligência ou são elas próprias um risco.
Não é fácil lidar com estes jovens. Há sete anos, quando comecei a
trabalhar aqui, tínhamos várias crianças pequenas, ou seja, o sistema
dizia que quando a criança estava em risco era retirada da família ainda
com 5, 6 ou 7 anos. Com o evoluir dos anos e com o nosso sistema
judicial a achar que as crianças devem estar o mais tempo possível com
os pais, eles chegam à instituição com 15, 16 anos. Para nós, isso
representa um grave problema, porque eles já vêm com comportamentos e
hábitos muito adquiridos e, por vezes, mesmo com alguns vícios
instalados”.
Daí que, como referiu a Directora Técnica do Internato, sejam
importantes iniciativas como a da FPV:
”Estas acções de solidariedade são óptimas; eles adoram. Tudo o que seja
do exterior e que venha para eles, é muito bem-vindo.
Temos uma relação muito próxima com o Voleibol. Tínhamos já uma rede e
as bolas que agora trouxeram vieram dar uma ajuda para que eles se
divirtam e pratiquem desporto.
Com estas acções, existe a oportunidade de terem acesso a coisas que nós
no dia a dia não lhes podemos dar.”
Daniel Formosinho, Director Técnico do Instituto Profissional do Terço,
destacou a importância da afectividade:
”A nossa instituição tem já 120 anos e é um pouco complicado fazer um
balanço porque, no princípio, tínhamos aqui cerca de 80 miúdos e as
pessoas procuravam-nos por questões financeiras. Depois houve uma
mudança, e agora são os tribunais que decidem quem entra para
instituições como esta. E agora temos casos muito mais graves do que
antigamente...
Um dos aspectos mais importantes para todos os técnicos que estão aqui é
a afectividade. As crianças precisam de sentir que aqui têm essa
afectividade por parte de todos.
E nós temos tido essa preocupação com elas. Há muitos alunos que já nos
deixaram, mas que continuam a visitar-nos muitas vezes, e isso é bom.
Estas acções da Federação Portuguesa de Voleibol são muito importantes
porque os jovens sentem-se recompensados e, para além disso, podem
praticar a modalidade.”
Mais informações:
Voleibol_solidário /
www.giravolei.com
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