22-MAR-2012
CENTROS DE FORMAÇÃO
CONSTITUEM UMA MAIS-VALIA

Os Centros de Formação são um projecto desenvolvido a nível nacional
pela Federação Portuguesa de Voleibol (FPV), conjuntamente com as
associações, com o objectivo de enquadrar jovens com elevado potencial
no percurso para o alto rendimento, fomentando um trabalho que contempla
o aperfeiçoamento exaustivo das componentes técnicas da modalidade e que
visa, num plano de médio/longo prazo, reforçar as selecções jovens e o
Voleibol nacional.
Daniel Lacerda, Director Técnico Nacional, escalpeliza o papel dos
Centros de Formação como municiadores das selecções mais jovens e dos
próprios campeonatos nacionais.
– Em que consiste o trabalho desenvolvido pelos Centros de Formação?
“O trabalho dos Centros de Formação, como o da AV Porto, procura ir ao
encontro dos objectivos que são traçados para as selecções nacionais.
Tendo em conta o contexto do Voleibol nacional e a necessidade de se
formarem jogadores que alcancem níveis de desempenho elevados, é
imprescindível a realização de um trabalho a longo prazo com bases
sólidas e devidamente estruturadas.
Esta estrutura conjunta (clubes, associações, FPV) possibilita um
trabalho de complementaridade com os clubes de forma a antecipar a
entrada de jovens jogadores para as selecções nacionais e, como tal,
constitui uma mais-valia para todos os intervenientes”.
– Neste processo, saem beneficiados tanto a Federação (selecções)
como os clubes?
“O trabalho aí desenvolvido demonstra que há uma contextualização em
termos verticais da modalidade: há um processo de dinamização, através
dos vários projectos da Federação e mesmo dos clubes. Esses atletas,
quando chegam aos clubes são observados e os mais aptos convidados a
integrar o centro de treino de forma a rentabilizarem as suas
capacidades na modalidade.
Esta forma de trabalhar também facilita um pouco a nossa escolha de
atletas para as selecções mais jovens, pois é nesses centros de formação
que damos os primeiros passos quando fazemos o processo de selecção de
jogadores.
O facto de haver um «primeiro filtro» possibilita-nos também diminuir o
erro quando efectuamos um processo tão complexo como a selecção de
atletas.
Julgo que estes dois factores, o de antecipação do trabalho das
selecções nacionais e o de filtragem de atletas, são fundamentais para o
desenvolvimento das selecções mais jovens”.
– As Selecções de Cadetes e de Juniores, tanto de masculinos como de
femininos, estão (finalmente) reunidas na zona dos Carvalhos...
“Para potenciar o trabalho já realizado e de forma a realizar um novo
enquadramento, este ano optámos por sediar os trabalhos das selecções
nacionais numa zona mais urbana e muito próxima do Porto. Com esse
passo, melhorámos em temos logísticos, sociais e familiares.
Por outro lado, a sua localização facilita-nos a realização de
jogos-treino. A proximidade aos clubes dos escalões superiores é real,
assim como a proximidade às famílias, o que nos possibilita usufruir,
num curto espaço de tempo, de um enquadramento de excelência muito
semelhante ao de países que estão situados, a nível do Voleibol, em
patamares muito elevados e mais evoluídos do que o nosso”.
Para além desta questão de proximidade, também foi muito importante o
parecer recentemente
emitido pelo Conselho de Justiça que possibilita que os atletas da
Selecção Nacional, que jogam como um grupo na Terceira Divisão, possam
também jogar na mesma época desportiva pelos seus clubes de origem.
Isto traz-nos também vantagens, como a aproximação do trabalho da
Selecção Nacional ao trabalho dos clubes e também uma identificação
clara dos atletas que integram a Selecção Nacional com os clubes onde
iniciaram a prática desportiva.
Julgo que este parecer é uma mais-valia quer para o desenvolvimento da
modalidade quer para o desenvolvimento dos atletas, bem como a
salvaguarda dos interesses da Federação e dos clubes".
– As selecções de juniores vão disputar, em Maio, a fase de
qualificação para o Europeu. Que objectivos foram delineados para estas
participações (masculinos na Turquia e femininos na Roménia)?
“Relativamente às participações das selecções nacionais, mais uma vez
iremos disputar uma fase de qualificação que para nós será sempre um
momento difícil. No Voleibol, o nível competitivo existente na Europa é
distinto do de outras modalidades, pois são 55 selecções que disputam
praticamente 11 vagas para uma fase final, o que realmente demonstra a
exigência do sistema de apuramento.
Temos sempre como objectivo a qualificação, mas essa qualificação
depende de imensos factores.
Neste momento, temos como objectivo principal a qualificação para a 3.ª
Fase. Teremos de nos classificar num dos três primeiros lugares desta
segunda fase. Seria um motivo de felicidade conseguirmos concretizar
essa meta. Sentimos que na poule de qualificação de masculinos haverá
mais equilíbrio e, portanto, temos a noção de que nos poderemos
qualificar.
No grupo feminino, embora o desfasamento seja superior, ambicionamos
igualmente a qualificação.
Nestas fases de apuramento de juniores, os grupos de selecção nacional
são grupos mistos, constituídos por atletas cadetes e juniores, o que
denota que este processo competitivo faz parte de um processo de
formação, que é algo que nós nunca nos poderemos esquecer.
É evidente que a competição faz parte do trabalho com estes jovens
atletas, mas o nosso objectivo fundamental é formar e estas competições
servem para aferirmos a nossa competência e da qualidade desenvolvida ao
longo destes anos”.
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