25/09/2009 SELECÇÕES NACIONAIS
«Muito motivados e
com vontade de trabalhar»

Há quem trace paralelismos entre a vida numa academia militar e um estágio
permanente de atletas jovens.
Em qualquer dos casos não é fácil abdicar de alguns dos prazeres da vida para se
dedicar quase exclusivamente a uma missão marcada pela disciplina e rigor, mesmo
que esta vise a integração no desporto de alta competição.
Levantar-se, de segunda a sexta-feira, às 6h15. Começar a treinar às 7h30 e,
duas horas e meia depois, iniciar as aulas não está ao alcance de todos. Só
daqueles cujo espírito forte permite impulsionar com firmeza e determinação um
corpo queixoso e ainda em crescimento.
Pior: de tarde a sessão de treino vai das 17h150 às 20h30. Depois do jantar é
tempo de estudar e às 23h00 recolhem todos ao leito retemperador.
Esta liberdade condicionada obriga a alguns sacrifícios, mas
torna ainda mais forte a relação que se estabelece entre os atletas e entre
estes e os elementos da equipa técnica.
Por isso, há quem já não estranhe tanto os treinos antes das aulas e suporte com
maior leveza o afastamento da convivência diária com os familiares e amigos.
Nuno Pereira (na foto) é, a par de Alexandre Ferreira, um dos mais antigos «residentes» do estágio permanente em Resende, iniciado no ano de 2007. Visto pela equipa técnica, que o designou capitão, e pelos atletas como um líder, o jovem açoriano assumiu com humildade, mas igualmente com a determinação própria dos seus 20 anos, a dura missão de zelar de por «miúdos» com idades compreendidas entre os 15 e os 16 anos.
“O Professor Rojas escolheu-me para tomar conta dos rapazes, talvez por ser o mais velho, pelo meu empenho e, creio, por alguma confiança que ele tem em mim. Tento criar todas as condições para que a adaptação seja completa e rápida, dando algumas dicas e ensinando-lhes algumas regras que regulamentam a nossa estadia em Resende, nos treinos, na casa e na escola e transmitindo-lhes a mensagem do que significa representar uma Selecção Nacional”, explica.
Missão impossível? Nem por isso.
“De início ficaram um bocado constrangidos, pensaram que isto era rígido de
mais, mas já se estão a habituar.
Eu compreendo-os porque também passei por isso. Sou dos Açores e quando fui para
os Carvalhos [Em 2006, ano em que integrou a Selecção] custou-me a adaptar, mas,
depois, com o trabalho e com os treinos esquecemos um pouco as saudades que
temos da família e dos amigos.
Este grupo está a trabalhar bem e creio que as perspectivas de futuro são
animadoras. São jovens muito motivados e que têm entusiasmo e vontade de
trabalhar”, destaca.
Para Nuno Pereira, um dos pontos mais altos ocorridos no ano
passado foi a chegada de José Rojas, actual Treinador Principal da Selecção
Nacional de Cadetes Masculinos.
“O Professor Rojas tem muitos conhecimentos como treinador. Trabalhou já com
grandes selecções e deu-nos outras visões do que é o Voleibol e da forma como
temos de trabalhar para atingirmos os nossos objectivos. Trouxe-nos mais
confiança e… trabalho”, recorda, com um sorriso.
O futuro do capitão da Selecção é construído passo a passo, mas,
a curto e médio prazo, passa por Resende:
“Optei por tirar um curso profissional e o meu estágio decorre em Caldas de
Aregos. Começou no ano passado e foi um bocado cansativo. Tive que fazer alguns
sacrifícios para estagiar na escola e treinar todos os dias. Mas está a correr
bem. Passei para o 12.º ano, que é o último do curso, e agora vou continuar a
dar o meu máximo para abrir outras perspectivas na minha vida profissional”.
João Oliveira: “Estamos a melhorar em todos os aspectos”
João Oliveira é, com 15 anos, o «benjamim» do grupo de trabalho que se encontra a estagiar em Resende e um admirador do brasileiro Giba e do português Hugo Gaspar.
“Os treinos são muito exigentes e há alguma pressão por ser o mais novo, mas acho que me estou a aguentar bem”, reconhece, com algum orgulho, confessando depois: “Não estava habituado a um ritmo de trabalho tão intenso. O corpo está a reagir bem, mas com a cabeça é mais complicado. Nunca tinha estado tanto tempo longe de casa e, por outro lado, temos menos tempo livre”.
Mas as contrapartidas são notórias:
“Fisicamente, é muito melhor treinarmos assim. Penso que estamos a melhorar em
todos os aspectos e isso é muito importante. Acredito que este estágio vai
constituir uma experiência marcante para mim e para os outros e espero que tudo
corra bem porque gostaria muito que houvesse uma continuidade relativamente ao
meu trabalho na Selecção”.
A transição de um estabelecimento de ensino do Porto para a
Escola ES/3 D. Egas Moniz, em Resende, acabou por ser mais suave do que o
previsto.
“Fui muito bem recebido por toda a gente na escola e tenho tido acompanhamento
por parte dos professores. Está a ser muito bom.
Os mais velhos, o Nuno e o Alexandre, são muito importantes na nossa adaptação,
dão-nos conselhos e é muito bom para nós podermos contar com a sua presença e
apoio”, conclui.
Mais informações: www.volei.tv