MIGUEL TAVARES RODRIGUES DISTRIBUI MAGIA NA SELECÇÃO
15-05-2015

Ecléctico, em miúdo praticou quase todo o leque de desportos que tinha à sua disposição (natação, ténis, futsal, futebol), mas acabou por decidir-se por aquele que ainda hoje é o seu desporto colectivo preferido. O Voleibol agradece esta opção de Miguel Tavares Rodrigues… e a Selecção Nacional também.

O que te cativou no Voleibol?
“Quando era pequeno/criança pratiquei desde natação, ténis e equitação até futebol de onze, futsal e Voleibol. À medida que fui crescendo, fui preferindo o desporto colectivo ao individual e acabei por me decidir pelo desporto que, na minha opinião, é um dos mais difíceis/rápidos/complexos que existem.
Também me decidi por este desporto pelo facto de a minha mãe ter sido também jogadora tanto no Sporting Clube de Portugal como na Selecção e de o meu pai ter sido treinador”.

Como foi o teu percurso na formação, tanto no clube como na Selecção?
“Foi sempre fácil. Comecei na escola e tive a sorte de ter bons treinadores, como o João Farinha, que agora é um grande amigo meu e que me fez crescer o gosto pelo ambiente do Voleibol.
No ano seguinte, fui para o Sport Lisboa e Benfica, porque jogava lá o meu primo mais velho, e tive mais uma vez a sorte de encontrar um dos melhores formadores/treinadores a nível nacional: Rodrigo Barroso! Digo formador porque foi ele que, desde os meus 12 anos, me ensinou tudo o que estava relacionado com o Voleibol, bem como a maneira como um atleta se deve comportar nas viagens, dentro da equipa, em grupo, no jogo e fora de campo.
Fiz toda a minha carreira de formação com ele (tirando o primeiro ano de juniores e o primeiro de juvenis). Ganhámos um título nacional de juvenis e registámos um vice-campeonato de juniores. Fomos ainda a primeira equipa portuguesa a participar na Eurovolley Cup, em Itália.
Do grupo de atletas que acompanhou a minha formação, com quem acabei por crescer e onde fiz os meus melhores amigos, mantenho contacto com cerca de 80/90 por cento deles.
Pelo que se vê, foi um percurso que me deu prazer porque sempre fui acompanhado pelas melhores pessoas! O Rodrigo Barroso é actualmente «Potenciador de Rendimento» da equipa sénior do SL Benfica e foi ele quem me perspectivou futuro como distribuidor.
Na Selecção, também foi fácil porque nos diferentes grupos em que estive inserido houve sempre bom ambiente. Na Selecção de Seniores, ao início, senti um pouco a diferença ao nível da exigência, mas felizmente estava já habituado pois, apesar de ainda ser júnior, trabalhava com os seniores do Benfica.
No Benfica, tive a sorte de treinar e jogar com jogadores que me ajudaram muito, como o Hugo Gaspar, o João Coelho, o João Magalhães, o Flávio Cruz”...

Iniciaste a tua actividade desportiva nos infantis da Associação Desportiva Marista, mas fizeste toda a tua formação no SL Benfica. O que sentiste quando deixaste o clube para concretizares a tua primeira experiência no estrangeiro?
“Não me apercebi disso até ao primeiro jogo que fizemos aqui em Itália. Só depois do jogo é que pensei: "Fogo, realmente é estranho não jogar no Benfica".
Não é fácil jogar praticamente 10 anos no mesmo pavilhão, ver as mesmas pessoas, ver a mesma camisola, os mesmos adeptos fiéis, o mesmo símbolo e depois trocar... Menos mal que no Piacenza também jogamos de vermelho”. [Risos]

Após o triunfo de Portugal sobre o Brasil, em Almada, na Liga Mundial 2005, foste pedir um autógrafo ao João José; já na altura alimentavas a ambição de jogar ao lado dos teus ídolos?
“Tinha já a ambição de chegar ali um dia. Lembro-me de passar o jogo a dizer para mim próprio que um dia seria eu que estaria ali. Mas pensei que levasse mais tempo. Não tinha a noção que seria possível realmente jogar com eles”.

Qual o momento desportivo que mais te marcou?
“Houve vários. Destaco o título de campeão nacional de Juvenis; e o primeiro ano nos Seniores do Benfica, quando ainda tinha idade de Júnior. Nessa altura, disputei a Supertaça a titular e ganhámos, por 3-0, à Associação de Jovens da Fonte do Bastardo [Agora tem 3 Supertaças, 2 Campeonatos e 2 Taças de Portugal].
Todos os jogos que disputei pela Selecção me marcaram. É sempre uma emoção ouvirmos o hino e saber que nas próximas horas vamos lutar para honrar o nome do nosso País”.

Que jogadores mais admiras? Porquê?
“Jogadores portugueses: João José e Hugo Gaspar. Ambos são trabalhadores incansáveis, aplicam-se sempre a 100 por cento e nunca desistem.
O primeiro porque conseguiu o que ninguém pensaria que fosse possível: um jogador português ser verdadeiramente reconhecido como um dos melhores do mundo. Foi o melhor blocador no Mundial de 2002, na Argentina, e criou uma carreira internacional sólida e com muito sucesso. Nas oito épocas que jogou pelo Friedrichshafen na Alemanha, venceu 7 campeonatos, 5 taças e uma Liga dos Campeões [2006/2007].
O Hugo Gaspar porque, apesar de não ter ficado muito tempo no exterior, conseguiu o perfeito equilíbrio entre seguir a carreira voleibolística e ter uma profissão [médico], o que também é dificílimo e que nenhum atleta pensa ser possível. E tem também bastantes títulos nacionais [Sisley Treviso/itália, Vitória SC e SL Benfica (2), para além de cinco taças], e no Treviso ganhou todas as competições nacionais [campeonato e taça] no ano em que esteve em Itália.
Internacionalmente, tento seguir exemplos como Lloy Ball [Estados Unidos], Pawel Zagumny [Polónia], Bruno Resende [Brasil], Luciano de Decco [Argentina]. Uns pela técnica, outros pela mentalidade, habilidade, etc..
Fora do Voleibol, admiro Roger Federer, Kobe Bryant, Michael Jordan, Cristiano Ronaldo”.

Liga Mundial:
“Grupo extremamente equilibrado”

Na Liga Mundial, Portugal vai defrontar a Bélgica, a Finlândia e a Holanda…
“São três equipas muito fortes, mas com quem nos podemos bater de igual para igual se estivermos no nosso melhor. Para quem não se recorda, no ano passado perdemos em casa 2-3 com a Finlândia e fora 1-3 na fase de apuramento para o Europeu, com apenas cerca de 15/20 dias de trabalho de Selecção.
Com a Holanda, ganhámos dois jogos e perdemos outros dois. Por isso, penso que é um grupo extremamente equilibrado mas em que, teoricamente, não somos favoritos”.

E o Playoff do Europeu, com a Eslovénia, muito importante para o Voleibol nacional?
“É para ganhar, sem dúvida! Quem não quer estar no Europeu? Os nossos adversários também querem de certeza, mas a nossa vontade vai prevalecer”.

“Estou adaptado às
exigências do Voleibol italiano”

Como te adaptaste ao nível da Liga Italiana?
Foi mais fácil do que estava à espera. Ao início claro que custou, pois a pré-época foi puxada, mas, depois, com o passar do tempo foi ficando muito fácil. Actualmente, falo fluentemente italiano e estou perfeitamente adaptado às exigências do Voleibol italiano.
Claro que o nível e a qualidade de treino e de jogo são doutro mundo para quem está habituado ao campeonato português, já que a Liga Italiana reúne alguns dos melhores jogadores do mundo”.

Extra-desporto, como é o teu dia-a-dia em Piacenza?
É bastante simples. Acordo por volta das 9h00, treino às 10h30 e depois vou almoçar, no restaurante do clube ou noutro restaurante, com alguns colegas ou amigos. Seguidamente, descanso ou dou uma volta pelo centro de Piacenza.
À tarde, treino por volta das 17h00 e depois janto no restaurante do clube ou com amigos noutro local.
Nos tempos livres tenho aproveitado para passear por Itália, sempre que tenho um dia ou dois livres... ou então fico por Piacenza com colegas de equipa. Também vejo séries ou jogo Playstation para me distrair".

E os estudos/futuro profissional?
"Deixei o curso inacabado, mas foi uma opção que tomei baseada no facto de oportunidades como esta surgirem uma vez na vida.
Senti que tinha de tentar e aproveitar a sorte que tinha tido. Agora, continuo a aproveitar o momento e cada jogo como se fosse o mais importante, com o intuito de tentar melhorar sempre cada vez mais.
No momento em que deixar de ser produtivo ou que deixar de me dar satisfação ser profissional do Voleibol, regressarei a Lisboa para terminar os estudos. Ou posso também terminá-los aqui. Nunca se sabe.
Gostaria de continuar no Voleibol para ver até onde posso chegar, qual é o meu limite como atleta, como jogador e como profissional, mas irei terminar os estudos”.

Gostos pessoais, a nível de comida, leitura, filmes, séries, etc.?
“Pastéis de Belém, travesseiros de Sintra, croissants do Careca [Pastelaria no Restelo], pizza, picanha, esparguete à bolonhesa da minha mãe, francesinha, pipocas...
Em relação a escritores, leio Dan Brown, José Rodrigues dos Santos, Fernando Pessoa, Eça de Queiroz, José Saramago. Livros: Relentless: From Good to Great to Unstoppable, de Tim S. Grover.
Filmes: O Bom Rebelde, O Padrinho, O Lobo de Wall Street.
Séries; House of Cards, Suits, Game of Thrones, Blacklist, How I Met Your Mother, Breaking Bad... este ano tive muito tempo para ver séries, tenho uma lista enorme”. [Risos]

 









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